O pastor Müntzer como metáfora do profeta Daniel: o pensamento da reforma campesina radical no século XVI à luz da micro-história

Nelson Lellis Ramos Rodrigues

Resumo


A partir da análise da Micro História, em Carlo Ginzburg, o presente artigo sugere captar a história campesina do século XVI – época da reforma protestante –, especificamente na Alemanha, observando como o pastor Thomas Müntzer interpretou Daniel 2 e apropriou-se do contexto de duras críticas aos impérios da narrativa para fomentar em seus ouvintes uma “verdadeira revolução” sócio-teológica. A pregação de Müntzer sobre o capítulo 2 do profeta Daniel é refletida em sua vida e em obras de vários autores como imagem de um teólogo que contemplou os “marginalizados” de sua época. Sua hermenêutica tentou recuperar cenários apocalípticos dos séculos dos impérios contra o “povo de Deus” num ambiente social desigual e de opressões político-religiosas intensas. Deste modo, seguem as questões que norteiam as seções deste artigo: a) a formação teológica de Müntzer para uma hermenêutica que prezava certo empoderamento profético?; b) como, a partir de um sermão, poder-se-ia vasculhar uma história tão complexa?; c) como as estruturas políticas e religiosas se desenvolviam à época?; d) onde um sermão é capaz de chegar e onde é capaz de levar seus ouvintes?

A partir da análise da Micro História, em Carlo Ginzburg, o presente artigo sugere captar a história campesina do século XVI – época da reforma protestante –, especificamente na Alemanha, observando como o pastor Thomas Müntzer interpretou Daniel 2 e apropriou-se do contexto de duras críticas aos impérios da narrativa para fomentar em seus ouvintes uma “verdadeira revolução” sócio-teológica. A pregação de Müntzer sobre o capítulo 2 do profeta Daniel é refletida em sua vida e em obras de vários autores como imagem de um teólogo que contemplou os “marginalizados” de sua época. Sua hermenêutica tentou recuperar cenários apocalípticos dos séculos dos impérios contra o “povo de Deus” num ambiente social desigual e de opressões político-religiosas intensas. Deste modo, seguem as questões que norteiam as seções deste artigo: a) a formação teológica de Müntzer para uma hermenêutica que prezava certo empoderamento profético?; b) como, a partir de um sermão, poder-se-ia vasculhar uma história tão complexa?; c) como as estruturas políticas e religiosas se desenvolviam à época?; d) onde um sermão é capaz de chegar e onde é capaz de levar seus ouvintes?

Palavras-chave: Müntzer; profeta Daniel; campesinato; revolta; império.


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