O corpo, a semente e o fruto: a antropologia paulina entre o simbólico e o conceitual em seu discurso sobre o ser humano e sua ressurreição

Rodrigo Portella, Carlos Queiroz

Resumo


A modernidade, e particularmente a pós-modernidade, tem colocado em crise a identidade humana, seu “porquê” e “para quê”. Diante de sociedades ocidentais cada vez mais descritianizadas e secularizadas, se faz necessário ao teólogo e ao cientista da religião o debruçar-se sobre as tradições religiosas para verificar o que veiculam em sua antropologia. No caso específico do presente artigo, a intenção é esclarecer como o cristianismo, particularmente o apóstolo Paulo, compreende o ser humano. Contudo, sendo esta tarefa que se encontra para além de um artigo, resta-nos esclarecer a visão de Paulo a respeito do ser humano a partir de um ponto que consideramos chave para sua antropologia: a ressurreição, o ser humano novo, particularmente descrito em 1Co 15. Entendemos que Paulo constrói muito de sua antropologia a partir da visão que tem sobre o futuro escatológico do ser humano, pois nele estaria a verdadeira medida do ser humano unido a Deus, isto é, sua realização plena. Contudo, para se chegar a esta visão prenunciada por Paulo, será preciso antes, ainda que de forma célere, percorrer alguns de seus conceitos ao referir-se ao ser humano, em várias situações, e compreender como tais conceitos constroem a antropologia paulina e apontam para sua concepção de ressurreição / novo ser humano.

Modernity, and particularly postmodernity, has put human identity in crisis, its why and for what. In the face of ever more decritianized and secularized Western societies, it is necessary for the theologian and scientist of religion to dwell on religious traditions to verify what they convey in their anthropology. In the specific case of the present article, the intention is to clarify how Christianity, particularly the apostle Paul, understands the human being. However, since this task is beyond an article, we can clarify Paul's view of the human being from a point that we consider to be key to his anthropology: the resurrection, the new human being, particularly described in 1Co 15. We understand that Paul builds much of his anthropology from the view he has on the eschatological future of man, for in him would be the true measure of the human being united to God, that is, his full realization. However, in order to arrive at this vision foretold by Paul, it will be necessary, even if quickly, to go through some of his concepts when referring to the human being in various situations, and to understand how such concepts construct Pauline anthropology and point out for his conception of resurrection / new human being. 


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DOI: http://dx.doi.org/10.20890/reflexus.v12i19.672

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