SÍMBOLO E MITO NA FENOMENOLOGIA DA RELIGIÃO

Felipe Ribeiro Cazelli

Resumo


Para a Fenomenologia da Religião, o fenômeno religioso se funda numa experiência originária, que é a experiência do Sagrado. O Sagrado é experimentado, vivenciado, como o totalmente outro, algo diferente de todo o resto da vivência ordinária cotidiana e, como tal, ao mesmo tempo fascina e amedronta. De tal sorte é essa experiência, que desafia as possibilidades de se traduzir em linguagem comum, visto que, por não ser de ordem “racional”, não pode ser encerrada em conceitos objetivos. A partir daí tem-se que a melhor forma de expressar o Sagrado, compreendido como “mistério” justamente pelo seu caráter “irracional”, é a linguagem simbólica. O símbolo é entendido como um suporte psíquico, que pode se apresentar na forma de uma imagem, um gesto, uma palavra ou um objeto, e que possui um duplo nível de significação: o imediato e superficial, que é a apreensão empírica de sua manifestação objetiva, e outro transcendente, que aponta para a dimensão do que não pode ser completamente apreendido no nível racional conceitual. Esse nível transcendente, para a Fenomenologia, é a dimensão religiosa do símbolo. Quando se apresenta numa estrutura narrativa, o símbolo se transforma no mito, ou seja, o mito é uma narrativa que utiliza linguagem simbólica para expressar aquilo que se encontra para além das palavras, por se tratar da experiência do Sagrado. Assim, o mito, enquanto tentativa de transmissão da experiência do Sagrado, é narrativa estruturante e provedora de sentido à vida humana.

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