A SACRALIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA DE GÊNERO E A NECESSIDADE DE DES-SACRALIZÁ-LA

Leicyelem V. Rondow

Resumo


No decorrer da história, as religiões não têm participado ou promovido, efetivamente, mudanças sociais em relação à superação da ideia que se tem sobre a subordinação feminina, muito pelo contrário, com enorme assiduidade têm reforçado/desenvolvido representações domesticadoras, impondo que o ser mulher se restringe ao papel de boa mãe, esposa, dona de casa, fiel religiosa, cuidadora dos outros e não de si mesma, entre outros atributos. Porém, essas atribuições dadas à mulher implicam reproduzir as normas já objetivadas que reservam às mulheres mais alguns atributos como: fragilidade, submissão, cuidado (com os filhos, marido e atividades domésticas). A partir desse contexto, identifica-se que há uma grave violência de gênero imbricada à violência simbólica. Observa-se que são feitas, irresponsavelmente, hermenêuticas de textos bíblicos que consequentemente legitimam a violência de gênero no espaço religioso. Não é só produzida, de certa forma, a violência de gênero, mas ela é também sacralizada mediante aos discursos que grande parte dos líderes fazem; levando/induzindo as pessoas a entenderem/compreenderem tal premissa como uma verdade sagrada.

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