A VITÓRIA SOBRE O ΘΆΝΑΤΟΣ E O ΆͅΔΗΣ

Diogo Alves da Conceição Santana

Resumo


O apocalipse se destaca tradicionalmente como epílogo à história da salvação, consumada na derrota final da morte e do inferno (Ap. 20.13-14), e por isso, nas estruturas derradeiras de um mundo decaído. Entretanto, é possível identificar em tal construção, elementos de uma longa polêmica que remonta inicialmente às mitologias ugaríticas (no embate entre Baal e Mat), babilônicas (entre Marduk e Tiamat) e no âmbito do antigo testamento entre Javé e o Xeol. Destaca-se no processo às transformações sociais ocorridas através da instituição e expansão do monoteísmo, que ao legitimar Javé como divindade suprema e absoluta, desqualifica todas as outras, num movimento de dessacralização e profanação dos espaços sagrados. É justamente quando a morte e o inferno deixam de ser consideradas divindades para se tornarem espaços. O texto de apocalipse sugere um retorno a tal personalização de tais divindades (o mar, a morte e o inferno devolvem seus mortos num ato que sugere o vômito, como na estória de Jonas por exemplo. A descida aos infernos compreenderia assim, a uma descida ao estômago da divindade, remontando ao mito grego de Cronos) num embate com a cultura romana predominante de então, apontado o Cristo como síntese que diferente de seus predecessores, resolve definitivamente o embate cósmico entre os deuses.

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