A RELIGIÃO NA CONSTRUÇÃO DA IMAGEM CORPORAL DE PACIENTES SUBMETIDOS À CIRU

Bruna da Silva Lopes Melo

Resumo


Inumeráveis são, hoje, as teorias e interpelações que, conjugadas, formam a pessoa humana. No entanto, em sua constituição, durante a história da humanidade, corpo e alma foram tratados como dois elementos individualizados de modo que o primeiro deveria ser posto de lado para que entrasse em cena o outro elemento, mais dignificante. Esse viés cultural fora herdado tanto dos clássicos gregos como dos judaico-cristãos. Entende-se, pois, o corpo considerando-se a complexidade do contexto: espaço, tempo, representações, instituições, imaginários, relações sócio-político-econômicas, estruturas de poder, etc. Aflora, desse modo, um processo de ideação da identidade individual imagética por meio do corpo que avulta. “Assim, a imagem do corpo se tornou um componente imprescindível, de modo que podemos afirmar que hoje, o eu é o corpo”. A magnitude do corpo se dá em detrimento da subjetividade. Vale a imagem, performance, saúde, juventude e longevidade corporais, resultando na constituição identitária, ou como diz Francisco Ortega, na bioidentidade cuja construção, sob um ângulo, se submete a uma bioacese, isto é, a adaptação do corpo. Nesse mercado, o corpo é uma mercadoria obediente à mesma lógica de outras tantas. Mas não é qualquer corpo. Diferentemente do corpo real, a demanda é pelo corpo ideal, perfeito e plástico, modelo ao qual a realidade corporal deve se ajustar a fim de conquistar felicidade, prestígio e bem-estar.

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