A COMPLEMENTARIDADE DOS SEXOS E O CONCEITO PÓS-MODERNO DE DIFERENÇA

Juliano Ribeiro Almeida

Resumo


Nesta comunicação, o autor apresenta um dos aspectos de sua dissertação de mestrado, que utiliza o conceito de diferença individual, do teólogo franciscano João Duns Scotus (1266-1308), em contraposição ao essencialismo aristotélico-tomista, na elaboração de uma antropologia teológica que atenda à demanda da pós-modernidade por mais tolerância e abertura ao “diferente”. Depois de revisitar a doutrina da complementaridade entre os sexos como normatizadora e, portanto, definidora do que seja “normal” e “anormal” na sexualidade humana, o autor desafia este padrão com as críticas de David Hull (filosofia da ciência), Lévinas (fenomenologia existencial) e Derrida (pós-estruturalismo), dando voz ao pensamento feminista e à chamada Queer Theology. De fato, afirmar que a mulher e o homem “são heterossexuais por natureza” contradiz a naturalidade das diferentes orientações sexuais; definir que o feminino e o masculino “se complementam por natureza” constrói historicamente privilégios masculinos e opressões contra a mulher e as minorias sexuais; impor que as expressões do ser mulher e do ser homem são “definidas por natureza” – mais do que construídas culturalmente – significa negar a veracidade das diversas identidades de gênero observáveis nas pessoas. A conclusão é que a diferença, longe de ser uma ameaça à espécie humana, é o que a constitui como imagem e semelhança da Trindade, na qual identidade de essência convive harmonicamente com diferenças pessoais.

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