UM OLHAR SOBRE AS RELAÇÕES MÚTUAS ENTRE A RELIGIÃO E A CULTURA INDÍGENA

Marcelo Nunes Miranda

Resumo


A comunidade Sahu-apé, formada por índios da etnia sateré-mawé, localiza-se dentro dos limites territoriais do município de Iranduda/AM, cuja sede dista de aproximadamente 37 km da capital amazonense. A origem do nome Satere-mawé não é completamente conhecida. “[…] O depoimento do tuxaua Donato, da comunidade Simão no rio Andirá:” “[…] O nome mawé (Mau-é) é porque os brancos nos chamavam de maus, eles não gostavam da gente por isso nos chamavam de mau”. A mudança de mawé para Sateré-Mawé, está relacionada à construção de uma identidade ao longo de quatro séculos, podendo destacar fusão cultural, assimilação de valores de grupos que disputavam território, luta para sobreviver a colonização e casamento interétnicos. (ESTEVES, 2007, apub NASCIMENTO; TORRES, 2008, p.727), mas não há uma unanimidade mesmo entre eles. Em entrevista dada a Nascimento e Torres (2008) , Ismael Freitas (Sahu) disse o seguinte: O nome Mawé foi dado por um missionário que entrou na reserva para catequizar os índios. Falavam que os missionários pegavam as crianças e jogavam no rio. Então, os tuxauas atacaram os luzeiros (missionários) numa praia de Ponta Alegre. O único padre que restou (do ataque), indignado com a barbárie cometida pelos índios, lançou uma praga que teria firmado o nome da etnia: Sateré-mawé foste, mawé és, mawé serás (entrevista/2008). LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA DOS SATERÉ-MAWÉ A maior parte do território dos Sateré-Mawé encontra-se na divisa do Amazonas com o Pará denominada Andirá Marau.

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